terça-feira, 22 de outubro de 2013

Outubro rock em São Paulo



Monsters of Rock, sabado 19 de outubro 2013 (SP).




Nem a pouca relevância atual das bandas escaladas nem a falta de material novo de das principais atrações impediram a primeira noite do festival Monsters of Rock de ser sucesso de público. A Arena Anhembi, em São Paulo, se encheu de camisetas pretas neste sábado para conferir principalmente as bandas americanas Slipknot, Korn e Limp Bizkit.
O nome mais importante do dia foi o Slipknot, que entrou no palco às 21h40 e, por duas horas, mostrou um show pesado e bastante competente. A banda mascarada não lança material novo desde 2008. Por isso, o show é feito só de músicas bem conhecidas dos fãs, garantindo uma resposta entusiasmada para quase todas as canções.
O Slipknot pesa o braço na bateria e na percussão – são três integrantes só para isso. Com esse trio, a batida forte das músicas mais rápidas faz o chão tremer. Nas mais lentas, domina um clima de trilha sonora de filme de terror. Para completar a diversão, a banda é performática e faz uso de pirotecnia e uma grande percussão giratória para oferecer ao espectador distrações além do carismático vocalista Corey Taylor. 
A banda chegou conquistando o público com Disasterpiece e Liberate e seguiu alternando faixas de seus quatro álbuns. Mais para o final, Psychosocial fez os fãs pularem de novo, mas foi na dobradinha Duality e Spit it Out que a apresentação atingiu seu auge. A primeira, dedicada ao baixista Paul Gray, morto em 2010, teve coro alto do público, enquanto na segunda a banda repetiu o ritual de mandar o público inteiro se agachar e, ao sinal do vocalista, pularem todos juntos. É truque repetido, mas ainda funciona.

Antes do Slipknot, o palco foi do Korn. A banda de nu metal abriu o show com um de seus maiores hits, Blind, causando uma boa primeira impressão, mas acabou fazendo uma apresentação irregular, com alguns altos, com músicas mais pesadas e contagiantes, e muitos baixos, esses em faixas mais lentas e pouco conhecidas. As mais novas, do álbum The Paradigm Shift, lançado neste mês, passaram despercebidas pelo público, que aproveitou para conversar.
O vocalista Jonathan Davis se esforçava no palco, mas chegou a reclamar que o público estava muito quieto. “Não voei até aqui para isso”, disse. A grande surpresa do show e o momento mais animado da passagem do Korn pelo palco foi a aparição de Andreas Kisser e Derrick Green, do Sepultura, para uma versão honesta de Roots Bloody Roots, da banda brasileira. Freak on a Leash, maior hit do Korn, ficou para o final.
Vagalume - Antes do show morno do Korn, o Limp Bizkit tinha feito pior. A banda liderada por Fred Durst também fez seu nome dentro do nu metal, mas o grupo que se apresentou aqui em nada se parece com aquele que, em 1999, foi responsabilizado por incitar o tumulto que encerrou o festival Woodstock. Ainda há peso no som, mas a atitude é bastante comportada. 
Fred Durst elogiou os brasileiros e falou em amor e diversão. Já o guitarrista Wes Borland vestia um aparato que cobria sua cabeça e seu braço direito e que, durante todo o show, acendia e piscava em cores diversas. Parecia um vagalume.



Aerosmith, 20 de outubro.


 



O Aerosmith é uma das grandes instituições do rock e seu show é grandioso e forrado de hits. A performance individual de cada integrante é impecável, o entrosamento entre eles é perfeito, mas o show é previsível do início ao fim. Você sabe quais sucessos serão tocados e eles são tocados exatamente como estão em disco, apenas com as deixas estratégicas para o público cantar junto. Você já conhece as roupas, as caretas, sabe que o vocalista Steven Tyler e o guitarrista Joe Perry vão dividir o microfone uma dúzia de vezes, que Tyler vai balançar o pedestal para lá e para cá e vai se jogar no chão em algum momento.
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O show que encerrou a segunda noite do festival Monsters of Rock, na Arena Anhembi, não fugiu à regra. Foi bem marcado, quase tudo cronometrado e coreografado. Não há espaço para espontaneidade ou surpresas. A banda se empenhou durante duas horas e fez um bom show, mas não demonstrou estar especialmente inspirada em momento algum.
Apesar de ter mais de 40 anos de estrada, o grupo privilegiou as décadas mais recentes, com o pop rock dos anos 1980 de Love in an Elevator, Rag Doll, What it Takes e Dude (Looks Like a Lady), e com o rock de arena e as baladas dos anos 1990 e 2000, caso de Pink, I Don’t Want to Miss a Thing, Jaded e Livin’ on the Edge.
Entre os destaques da noite, a baladona Cryin’, que reergueu a carreira da banda em 1993, foi cantada por todo o público do início ao fim. Já no bis, a bela Dream On, lançada 20 anos antes, levou Steven Tyler ao piano e provocou arrepios. A apresentação acabou com uma versão convincente do hard rock Sweet Emotion, da fase setentista.
Whitesnake – Antes do Aerosmith aparecer, a noite foi uma viagem de volta ao hard rock dos anos 1980 para um público mais velho e muito mais feminino do que o do primeiro dia de festival. A segunda grande atração foi o Whitesnake. David Coverdale entrou no palco com uma camisa branca com a bandeira do Brasil estilizada. Aberta até o umbigo, deixava ver várias correntes penduradas no pescoço. O cabelo continua igual: longo, loiro e ainda volumoso, apesar de seus 62 anos de idade. E o mesmo vale para a voz. Grande trunfo do Whitesnake, o gogó de Coverdale pode não estar intacto, mas ainda produz um vozeirão.
Hoje o Whitesnake é quase todo jovem, mas é virtuoso e bem entrosado. Há solos de guitarra em todas as músicas. O baterista Tommy Aldridge, veterano que já tocou com Ozzy Osbourne e Gary Moore, também sola (e, no meio do solo, dispensa as baquetas e toca com as mãos). Há até solo de gaita.
O show foi de hard rock pesado, com guitarras altas na maior parte do tempo, como em Love Ain’t no Stranger, Love Will Set You Free e Fool For Your Loving. Mas são as grandes baladas as mais populares por aqui e foram elas que mais entusiasmaram a plateia, em especial a feminina. Here I Go Again fez sucesso, mas foi Is This Love, tocada logo no início, que arrancou lágrimas das fãs.
A boa apresentação foi encerrada com duas músicas do Deep Purple, do qual Coverdale fez parte entre 1976 e 1979: Soldier of Fortune e Burn, essa em uma interpretação arrasadora.
Desencontros – Os primeiros a tocar em posição de destaque foram os norte-americanos do Ratt, que chegaram no início da noite. A banda de hard rock trouxe direto dos anos 1980 as calças de couro, os cabelos longos e repicados, as bandanas na cabeça e os longos solo em guitarras “flying V”.
Seu som, que já era ruim quando ainda fazia parte de um estilo que estava na moda, hoje em dia fica ainda pior. Não só porque soa datado e repetitivo, mas também porque a banda não sabe mais como executá-lo. Os integrantes se desencontram constantemente e seguem perdidos por longos minutos. Foi assim até no grande hit da banda, Round and Round, última do set list. O vocalista Stephen Pearcy tenta ser simpático, mas se esforça demais. E sua voz de gata no cio incomoda os ouvidos.
Sem filas – Segundo a assessoria, o Monsters of Rock teve seus ingressos esgotados, reunindo 30 000 pessoas por dia. Em todo o evento, a estrutura funcionou bem. Era fácil trocar dinheiro por fichas e pegar comida e bebida; pequenas filas se formavam apenas no horário de pico, perto das 20 horas. Ambulantes circulavam pela pista levando comes e bebes para quem não quisesse sair do lugar e diminuindo a demanda nos bares e restaurantes laterais.
Os banheiros também foram suficientes. Filas se formaram apenas nos femininos próprios do Anhembi, preferidos pelas moças. Mas quem não quisesse esperar tinha os químicos à disposição – esses menos cômodos, mas sem espera.


Fonte: veja.abril.com.br

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